DO AMOR E SUAS ADAGAS

Poema de ALFREDO GARCIA-BRAGANÇA

“O amor é dono dele mesmo”.

Martha Medeiros

I

“O amor é dono dele mesmo”;

pouco importa

tua maquiagem borrada,

tua insônia, teu surto,

teus poemas escarrados.

II

“O amor é dono dele mesmo”;

tu és a partner,

ele o atirador de facas;

tu és o alvo,

ele a seta atirada.

III

“O amor é dono dele mesmo”;

pouco a ele importa

o teu choro em silêncio,

tua oração no escuro,

tua rascante blasfêmia.

adaga

IV

“O amor é dono dele mesmo”;

nem os teus voos insólitos,

nem teus rogos prematuros,

nem o “eu te amo” abortado,

nada mudará isso.

V

Porque ele é o hóspede

que invade nossos cômodos,

porque ele é a saudade

que acalenta nosso exílio.

VI

Porque sonhamos com ele

do tamanho dos nossos medos;

porque acordamos com ele

à altura de nossas misérias humanas.

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