A FEIRA E AS VAIDADES

 


O bom jornalismo (conforme recomendam os manuais de redação e os experts em Comunicação Social) deve primar pelo exercício da ética. Muito mais se o escriba que ocupa espaço em uma publicação impressa derrama sobre o papel sua bílis e se utiliza – sem ter apurado quem disse o quê, quando, como, onde e por que – de declarações que atribui a outrem.

Esse nariz-de-cera vem a propósito da coluna do escritor e radialista Edyr Augusto Proença, publicada nesta sexta-feira, 23 de maio, no jornal “Diário do Pará”, caderno “TDB/Por Aí”  e no blog http://opiniaonaosediscute.blogspot.com.br/, intitulada “A Feira do Livro de Salomão Laredo”. O resumo da ópera tupiniquim de Proença é a defesa da iniciativa de Salomão Laredo, que vai realizar no mesmo período da XVIII Feira Pan-Amazônica do Livro (30 de maio a 8 de junho) a sua feira privada na Fox Livros e Vídeos. Ótimo, palmas para o Laredo que ele merece e, aliás, tem sido um dos poucos autores a levantar a bandeira da valorização do autor local.

Agora, não sei de que local – entrevista, bate-papo, postagem, etc. – o caríssimo contista de “Um sol para cada um” tirou a aleivosia de que “Alfredo Garcia (…) para protestar contra as “não condições” dadas aos autores locais na tal Feira Pantética do Livro, alugou um stand, com seus confrades, para expor e vender suas obras (…)”. Nunca disse, em tempo algum, tal coisa, nem levantei bandeira de tal protesto inócuo, em primeiro, segundo ou terceiro ato. A verdade dos fatos é que, para não ficar no chororô de quem faz uso político da miséria dos outros e proselitismo com o chapéu alheio, eu e mais oito autores (Bella Pinto, Edmir Bezerra, Eduardo Santos, Ivanilda Góes, João Bosco Maia, José Artheiro, Rufino Almeida e Zaqueu Cunha) fomos à luta e adquirimos um estande de dezesseis metros quadrados na Feira do Livro. Primeiro porque – e isso não sabia o caro articulista – já havíamos reivindicado este espaço anteriormente à empresa responsável pela montagem do evento; depois porque acreditamos na qualidade de nossos livros e na receptividade do público do Pará, que tem abrido as portas para muitos autores regionais irem às escolas.

Aliás, por falar em escolas, cabe lembrar que, dentro do projeto “Memória da Literatura do Pará”, que criei e ajudo a desenvolver na Secretaria Municipal de Educação (Semec) já levamos às salas de aula de Belém e das ilhas as obras de oitenta autores de todos os tempos da nossa literatura regional em 2013. Em 2014 serão doze os autores a irem com seus livros infanto-juvenis e dialogarem com as crianças da capital paraense.

Não contesto quem se posiciona contra a Feira Pan-Amazônica, pelo contrário: respeito essa atitude; mas não admito, para que se faça contraponto a esse neo-bairrismo fora de contexto, que se busque detratar o trabalho de quem quer que seja. O mercado é livre, os leitores serão sempre os juízes de nossas pretensas obras; somente o tempo dirá quem vai sobreviver entre nós, autores contemporâneos, daqui a um século, com nossos livros. Por ora, (nesta peregrinação física) só nos resta viver, escrever, publicar (quando possível) e lutar por um lugar à sombra já que o sol nasce para todos.

Sim, vamos à feira do querido escritor Salomão Laredo, mas também não deixemos de frequentar a XVIII Feira Pan-Amazônica do Livro e não só “prestigiar”, mas comprar e ler nossos autores regionais.

livroaberto

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