PERGUNTAS E RESPOSTAS NO DIA NACIONAL DA CULTURA

Qual a importância de se valorizar a cultura? Por que ela é tão importante quanto saúde e tantas outras áreas?

Em Literatura, quase sempre a prima pobre das Artes, isso torna-se tão vital quanto saúde e educação, por exemplo. Valorizar, por exemplo, a Literatura local, não tem sido prioridade para os gestores no Pará. Isso cria uma geração de pessoas sem identidade cultural, ou que a constroem na perspectiva do repertório mais próximo delas. Nossa economia criativa é igual a pouco mais que zero por isso. Na Literatura, se houvesse incentivo, ela poderia mobilizar e empregar diretamente cerca de 5 pessoas por livro editado.

E como as pessoas ligadas à literatura tem feito para mantê-la viva e levar até seu público?

Boa parte em ações individuais, outros em projetos ligados às entidades que ainda se preocupam com levar até às escolas possibilidades de desenvolver um repertório mais amplo, culturalmente falando. Eu tenho ido às escolas pelo projeto MEMÓRIA DA LITERATURA DO PARÁ, do município de Belém.

O que falta para termos no Pará uma verdadeira política de livros e leitura?

Falta muito. Falta vontade política. Falta editoras que invistam e criem – finalmente – um mercado editoral. Falta boa vontade das escolas em abrir suas portas para a Literatura regional e deixar de fazer acordos canhestros com editoras que empurram goela abaixo conteúdo alienígena. Falta termos uma verdadeira feira de livros que seja culminância de um projeto de incentivo à leitura e à produção de livros no Estado, como o modelo de Porto Alegre, por exemplo. Falta forças para quem, como eu, milita há quase 30 anos em Literatura e não viu mudar uma vírgula no discurso oficialesco.

Como mudar esse quadro que você pinta tão lúgubre?

Com mudanças políticas, primeiro. Depois com ações estratégicas iniciadas por nós mesmos, escritores e artistas que trabalham com a palavra, editores, professores, etc. Em todo esse circuito precisa haver boa vontade e muito, muito trabalho. Coisa pra Hércules, além de nossas forças atuais.

E as leis de incentivo a Cultura? Elas não têm proporcionado acesso maior das pessoas aos chamados bens culturais?

As leis existem para que o poder público pose de Mecenas. São desonerações fiscais, ou seja dinheiro em impostos que deixa de ir para os cofres públicos, e que vai beneficiar alguns privilegiados, mormente na área de Música e Cinema. E só.

Colaboração: Laís Azevedo

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