“COMIGO ELE ERA APENAS O PAI, NÃO O ESCRITOR”

ENTREVISTA – MARIA MARGARIDA BENINCASA

Filha de Dalcídio Jurandir fala de seu relacionamento com o pai romancista

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Nascida no Rio de Janeiro em 09 de abril de 1942, um ano depois que o romancista Dalcídio Jurandir lançara seu mais conhecido romance, “Chove nos campos de Cachoeira”, Margarida Maria Pereira Benincasa, única filha do escritor marajoara, estudou no Colégio Pedro II, Faculdade Nacional de Filosofia, Universidade do Brasil (hoje UFRJ), fazendo o curso de História Natural, concluído em 1965.

Casou-se em 1966. Foi professora do estado, concursada, até 1968; no ano seguinte foi convidada a lecionar e fazer pesquisa na Faculdade Estadual de Agronomia, atualmente Unesp, campus de Jaboticabal, SP, onde concluiu o doutorado em Fisiologia Vegetal. Desenvolveu carreira acadêmica na instituição e se aposentou como Professora Titular em 1992.

É mãe de três filhos nascidos em Jaboticabal: em 1970 nasceu Maria (Engenheira de Alimentos); em 1973, Míria (Psicóloga) e em 1975 nasceu Mario Júnior (Fisioterapeuta). É avó de três netos: Maiã e Enrico, filhos de Maria e Lara, de Míria.

Fale-nos um pouco da sua convivência com o seu pai, o escritor Dalcídio Jurandir, especialmente na infância.

Caçula e única menina, recebia um tratamento especial: levava-me a parques, ao balé, ao cinema, enfim, era muito carinhoso. Quando criança ele era apenas o pai, não o escritor.

Quando a senhora tomou consciência da importância do seu pai para a literatura nacional, especialmente a de exprfessão amazônica?

Desde criança minha mãe lia para nós os seus romances (do pai Dalcídio). Por volta dos 16 anos ele começou a nos levar a eventos nos quais era homenageado, com muitas recomendações, como por exemplo, não comer as frutas do ponche (!), não demonstrar encantamento exagerado, seja pelo ambiente (sempre sofisticado) ou pelos elogios a ele.

O seu irmão (José Roberto Freire Pereira) falou certa vez que o Dalcídio Jurandir como pai era exigente com os filhos, cobrava muito deles. Foi assim com a senhora também?

Na verdade, suas exigências se voltavam para seriedade, honestidade em todos os aspectos da vida. Nós aprendemos com ele e com nossa mãe que tínhamos que lutar para conseguirmos realizar nossos objetivos, com dignidade e respeito ao outro.

A morte, em 1961, do seu irmão João Sérgio abalou muito o Dalcídio Jurandir?

Sem dúvida, meu pai e todos nós ficamos muito abalados. O que se verificou é que meu pai passou a ter cuidados explícitos, principalmente com o José Roberto. Foi uma mudança completa nas suas relações com ele. Comigo esses cuidados sempre foram muito claros.

Hoje como a senhora está tratando as reedições das obras de Dalcídio Jurandir?

Na verdade minha cunhada (Carmen, viúva de José Roberto) e eu estamos atentas a isso.

Há alguma novidade em termos de reedições para 2013?

Estamos com algumas propostas. Ainda não temos nada efetivado.

 

NA FOTO, AO CENTRO, MARGARIDA BENINCASA

NA FOTO, AO CENTRO, MARGARIDA BENINCASA

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