FILHO DE DALCÍDIO FALA SOBRE OBRA DO ESCRITOR

 

Esta entrevista me foi concedida em 2009 por JOSÉ ROBERTO FREIRE PEREIRA (1940-2011), terceiro filho de DALCÍDIO JURANDIR (1909-1979). Publico aqui em homenagem aos 104 anos do ROMANCISTA DA AMAZÕNIA, DALCÍDIO JURANDIR, que acontece neste 10 de Janeiro de 2013.

EU E JOSÉ ROBERTO, EM JULHO DE 2010, EM NITERÓI, NO CALÇADÃO CULTURAL
EU E JOSÉ ROBERTO, EM JULHO DE 2010, EM NITERÓI, NO CALÇADÃO CULTURAL

Com muita expectativa, mas consciente que poderia ter sido feito muito mais”. Essa é a resposta de José Roberto Freire Pereira, biólogo, 69 anos, aposentado, quando lhe é perguntado sobre o centenário de nascimento de seu pai, o romancista Dalcídio Jurandir (1909-1979), considerado por muitos críticos e pelo público que teve acesso à sua obra como o maior romancista paraense de todos os tempos e um dos maiores da Literatura Brasileira,equiparado à Jorge Amado, Érico Veríssimo, Graciliano Ramos, Bernardo Elis, entre outros que, histórica e didaticamente estão ligados à chamada Geração de 1930 do Modernismo.

José Roberto nasceu em 29 de maio de 1940, em Belém, ano particularmente de sucesso para o escritor, quando venceu o concurso nacional de literatura promovido pela Editora Vecchi e jornal literário “Dom Casmurro” com o romance “Chove nos campos de Cachoeira”. e é o terceiro dos filhos de Dalcídio Jurandir (o primeiro, Alfredo Freire Pereira, nascido em 1936, faleceu aos onze meses de vida; João Sérgio Freire Pereira, nascido em 1937, foi o segundo e Margarida Maria Freire Pereira, nascida em 1942, já no Rio de Janeiro, a quarta).

É formado em História Natural (hoje correspondente a Biologia e Ciências Físicas e Biológicas), pela antiga Faculdade Nacional de Filosofia, hoje UFRJ.

Como ele mesmo diz, após “38 anos nas salas de aula, resolvi que era hora de me aposentar (somente das aulas), para assumir um novo desafio que é recuperar o tempo em que a obra de meu pai ficou longe das livrarias”. E essa vem sendo a prioridade da vida de José Roberto. “Estou aprendendo muito, é quase como se estivesse começando uma nova profissão, pois devido a importância do nome de Dalcídio Jurandir, quero conhecer um pouco de tudo que envolve o trabalho literário para ficar seguro de que estou fazendo a coisa certa. Meu maior sonho agora é levar os romances do meu pai para todo o Brasil”.

Nesta entrevista, ele fala do centenário de nascimento do pai, das lembranças do pai escritor e da luta para trazer de volta às livrarias a obra de Dalcídio Jurandir.

 

Como a família de Dalcídio Jurandir vê a chegada deste centenário de nascimento daquele que é considerado o maior romancista do Pará?

JRFP – Com muita expectativa, mas consciente que poderia ter sido feito muito mais. Foi fundado o Instituto Dalcídio Jurandir, em dezembro de 2003 com a principal finalidade de divulgar a obra do romancista. Seria injusto dizer que o Instituto não contribuiu. Algumas ações ocorreram. Em termos de divulgação deixou a desejar, já que as reedições ficaram novamente restritas (os livros só eram encontrados na Casa Rui Barbosa), não chegaram às livrarias. Com o tempo fomos adquirindo mais experiência e percebemos que ações mais simples podem ser mais eficazes. Hoje, após sete meses da criação, o novo site (http://www.dalcidiojurandir.com.br) já foi visitado pelos cinco continentes. Esse foi apenas o primeiro passo para o início de uma nova caminhada. Com a ajuda de profissionais da área da literatura e outras afins, acreditamos ter encontrado o caminho certo, agora é só trabalhar.

Que iniciativas o senhor tomou conhecimento para difusão da obra de Dalcídio Jurandir neste centenário, no Pará principalmente?

A Secretaria Executiva de Cultura (SECULT) proporcionou-nos, de 8 a 16 de janeiro de 2009, viagem Belém-Ilha de Marajó (Ponta de Pedras e Cachoeira do Arari) onde ocorreram vários eventos comemorativos de grande repercussão na Ilha. Fomos acompanhados por uma comitiva de pesquisadores e professores.

No Estado do Pará o romancista é considerado um ícone. Todas as vezes que fomos convidados, a recepção foi calorosa. A cobertura da imprensa é completa.

Chegou-nos a informação que a governadora Ana Julia Carepa sancionou uma lei que institui 2009 como o “O Ano Estadual Dalcídio Jurandir”. Estão em andamento os trâmites legais para o tombamento do chalé onde viveu meu pai. A Feira Pan-Amazônica 2009 o terá como patrono.

No site www.dalcidiojurandir.com.br, consta toda programação da UFPA, UEPA e UNAMA relativa ao centenário.

Hoje, segundo consta, 90% do acervo de Dalcídio Jurandir está de posse da Fundação Casa de Rui Barbosa, do Rio de Janeiro, cidade onde o escritor morou por boa parte de sua vida; de que é constituído este acervo?

O acervo é constituído de aproximadamente 2.300 documentos e uma pequena biblioteca com cerca de 800 livros os quais revelam, em cartas e manuscritos, livros com dedicatórias ao autor, muito da vida literária de Belém, do Rio de Janeiro e do Brasil, desde da década de 1920.

O acervo foi doado pelos herdeiros: Margarida Pereira Benincasa e eu, José Roberto Freire Pereira para o arquivo – Museu de Literatura Brasileira (AMLB) – da Fundação Casa de Rui Barbosa.

Devo ressaltar que não terminou o trabalho de catalogação e restauração do acervo. Ainda, não temos uma lista oficial da instituição FCRB.

O ano de 2009 também marca 30 anos sem a presença de Dalcídio Jurandir, falecido em 1979. Para o senhor, como filho, que faltou ser feito de lá para cá no sentido de dar uma melhor divulgação à obra do escritor?

Faltou-nos tempo e conhecimento para nos dedicarmos a esse trabalho, já que atuávamos na área de Ciências Biológicas, assim como nossos compromissos familiares.

Minha mãe Guiomarina é quem cuidou precariamente até o ano de 1994, quando faleceu.

Acredito que se a Editora CEJUP tivesse cumprido o contrato que assinou com minha mãe, de reeditar toda obra e fazer a distribuição em todo território nacional, hoje a situação seria bem diferente: sua obra já estaria melhor conhecida por todo Brasil.

O pai Dalcídio Jurandir, como era? Que recordações o senhor tem da figura paterna do escritor?

Para facilitar, você pode encontrar na página 189 do livro “Dalcidio Jurandir romancista da Amazônia”, algo de nosso relacionamento. É muito pouco, apenas uma idéia… (leia box com trecho do depoimento)

Dalcídio Jurandir é reconhecido como um dos grandes romancistas brasileiros, representativo da escrita amazônica, mas carecem de edições os seus romances; como estão hoje as reedições das obras do escritor?

Belém do Grão-Pará”, publicado em 2004 em co-edição da Universidade Federal do Pará e Fundação Casa de Rui Barbosa, não foi distribuído nas livrarias. Este ano será lançado o livro “Marajó” (pelas mesmas instituições citadas acima), o livro “Primeira Manhã” pela Universidade Estadual do Pará (UEPA).

As obras, publicadas pelas instituições públicas, deixa-as confinadas aos intelectuais de elite ou pessoas que conhecem ou estudam o autor. Tenho conversado com as editoras da UFPA e da UEPA, para que seja feita uma melhor distribuição e divulgação.

Estamos em contato com editoras comerciais interessadas na reedição de toda obra.

Como filho e leitor, que romances o senhor apontaria como os mais representativos dentro dos dez do Ciclo Extremo Norte?

Como sabe, trabalhei como professor de Biologia e dediquei-me em tempo integral. Sou um leitor comum, como tal posso apenas opinar sobre alguns livros como “Chove nos Campos de Cachoeira”, “Marajó” e “Belém do Grão Pará”. Porém, vejo os críticos em literatura mencionarem os outros romances como sendo o melhor, o que acredito ser bom para o escritor.

Quando jovem, adorei “Linha do Parque”. Hoje, como aposentado, estou tentando reler todos os livros, juntamente com o trabalho de resgate da vida e obra que venho fazendo.

1 comentário

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Uma resposta para “FILHO DE DALCÍDIO FALA SOBRE OBRA DO ESCRITOR

  1. Dalcidio é excelente, pena não encontrarmos os seus livros nas livrarias. Ernesto

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