UM CARA QUE EU AMO

Para meu filho, ALFREDO NETO, que fez 25 anos dia 4.12.2012 e que festejamos hoje.

Há 25 anos esse cara apareceu na minha vida. Eu ainda era um garoto que amava os Beatles, os Rolling Stones – ou achava que era um garoto aos 26 anos de idade -, mas que curtia um (digamos) som alternativo cantando alto no banheiro “Eu não sou cachorro, não”, do Waldick Soriano.

Então, sorrateiro, ele chegou. Veio numa dessas tardes de dezembro, quando o último mês do ano começa e todos principiam a elaborar planos e mais planos para o novo ano. Veio num fim de tarde que eu não lembro se era ensolarado ou chuvisquento. Veio, feito sultão, em meio a muitas mulheres. Bendito fruto.

Quando ele chegou eu ainda tateava a Poesia. Buscava no chão das manhãs um tanto de versos, arriscava rimas entre cifras, sonhos e cismas.

Quando ele veio, confesso, foi ele, rebento, que me arrebatou.

Sujeito cheio de artimanhas, ele. Costumava me acordar às duas da madrugada e me levar até a cozinha para compartilharmos um copo de leite morno. Ouvia sempre atento as minhas conversas, como se tudo fosse a mais pura novidade. Depois, veja você, o degas ia dormir e me deixava acordado a sonhar com rumos e rimas.

O tempo foi passando e ele cada vez mais envolvido na minha vida, e eu na vida dele. Cheguei a ter ciúmes dele, dá para acreditar? É que minha mulher dava muita atenção ao danisco, que tinha lá seu charme com o cabelo loirinho caindo na cara, o corpo parrudo, o sorriso aberto. Pior que não era só ela: outras mulheres eram seduzidas pelo insigne. Eu, de lado, me via insignificante.

Mais tempo que passa. Me vi como companheiro de caminhada pelas manhãs a caminho do colégio. Ainda sonolento, eu tinha que pedir para ele apressar o passo. Mas, confesso, como eram divertidas aquelas manhãs, como eu tenho saudades daquele tempo!

Depois o referido foi ocupando cada vez mais seu espaço na minha vida. Ele é daqueles tipos que, devagar e sempre, vai se chegando, se chegando e, de repente, já está inteiro na tua vida. Tem suas estratégias para fazer isso. Usa de seu charme para isso.

Quando me dei conta já estava trabalhando com ele, escrevendo com ele, vendo meus amigos se encantarem com ele. Ele, ele, ele.

Hoje faz um quarto de século que a gente se conhece. Bodas de prata, ele vai acabar dizendo com a sua peculiar ironia com uma pitada ácida de sarcasmo.

Aí eu tenho de confessar, também, que já não sei como seria a minha vida sem esse cara que hoje é meu interlocutor quando falo de leituras, literatura, vida, amarguras, o que rolar.

Hoje eu queria dizer para ele que o tempo passa, o tempo voa, mas que a nossa amizade, o amor que sentimos um pelo outro segue numa boa, numa naice. E dizer que ele, hoje um sujeito de 25 anos, barba na cara, graduado em História, especialista em Arqueologia, contista, é um dos caras na minha vida, junto às figuras do meu pai, meus tios Antônio e Júlio, meu filho Frederick. E que eu desejo vida longa para ele, meu filho Alfredo Jorge Hesse Garcia Neto.

NA FOTO, À ESQUERDA, ALFREDO NETO E, Á DIREITA, FREDERICK: O CLÃ DOS GARCIA

NA FOTO, À ESQUERDA, ALFREDO NETO E, Á DIREITA, FREDERICK: O CLÃ DOS GARCIA

 

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