WOODY ALLEN, EU E MAIS CINCO

Quem vai ao cinema numa segunda-feira à noite, com uma chuva morrinhenta, tendo jogo de futebol do seu time, e ainda mais para ver o mais novo filme de Woody Allen? A pergunta é retórica, a resposta é categórica: eu, minha mulher Gleice, mais nossos filhos Alfredo e Frederick e um casal desconhecido.

Juro – e não é título de novela: éramos seis na sala 7 do Cinépolis no Parque Shopping, na passada segunda-feira, dia 2 de julho, começo de verão amazônico. E com um toró principiando.

Quase pensamos, eu, minha mulher e meus filhos, que realizaríamos o sonho de uma sala de cinema só para nós quatro. Mas, quase no princípio da exibição, chegou um casal. E foi só essa a plateia da noite na sala em “Para Roma Com Amor”. Seis pessoas, numa noite de chuva, diante de uma tela imensa.


Allen enche a tela como nunca, reaparecendo como ator no papel de Jerry, um produtor musical aposentado, estressado e obsessivo, ao lado da mulher, uma psiquiatra vivida por Judy Davis. Numa de suas excelentes tiradas, ao saber que seu futuro genroMichelangelo (Flavio Parenti) tem tendências de esquerda, e que o futuro sogro Giancarlo (Fabio Armiliato) de sua filha Hayley (Alison Pill) é dono de uma funerária, dispara esta pérola:

– Só falta agora descobrir que a sogra participa de uma ONG que faz caridade para crianças leprosas!

Puro humor alleniano. Ou seria piada de mal-humorado?

“Para Roma Com Amor”, desde a primeira cena, com a fotografia apurada e belíssima, é uma homenagem rasgada a um dos cineastas prediletos de Woody Allen e sua cidade amada: Federico Fellini. Também é um tributo àquelas deliciosas comédias italianas com a história de Leopoldo Pisanello (Roberto Benigni, com performance impagável), um discreto executivo que todo dia faz tudo igual e, de repente, se torna celebridade. Ah! Você já viu esse filme no caderno de Variedades e nas revistas de jornalismo cor-de-rosa? Allen toca fundo na ferida quando um de seus personagens, um motorista do candidato a olimpiano que é Pisanello, ao ver este fugindo dos paparazzi, exclama: “O senhor não sabe que para ser famoso precisa manter a fama?”. Há também a presença da estrela Penélope Cruz, linda como sempre, interpretando a prostituta Anna.

Fora essa crítica ao culto das celebridades instantâneas e seu modus operandi de se manter no topo (de quê mesmo?), há outra história igualmente divertida: a do sogro da filha de Allen (que canta como ninguém árias no chuveiro) e que o produtor Jerry quer alçar aos píncaros da glória musical erudita. Mas, Giancarlo só canta bem no chuveiro, e como a plateia não pode vir ao chuveiro dele, este (o chuveiro) vai ao teatro. Ah! Você também já viu na TV e adjacências gente que só cantaria bem no chuveiro lançando CDs e DVDs? A vida imita a arte, sabia?

“Para Roma Com Amor” é um filme com a assinatura da grife Woody Allen. Uma obra divertida, bem feita e que parece estar fadada a ser assistida por poucos. Ou não?

6 Comentários

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6 Respostas para “WOODY ALLEN, EU E MAIS CINCO

  1. Tenho exibido muito , nos últimos tempos , VICKY CRISTINA BARCELONA… um hino de amor a esta cidade, alem da análise de como estão os relacionamentos de casais , hoje em dia … Espero o filme que terá como cenário, a cidade do Rio de Janeiro … e, que não sei porque não foi rodado ano passado … Até à próxima , personas …
    20.01.2013

  2. Que fizeram com meus dois comentárioz …? Foram para o facebook ? Chegaram a ser editados, e depois retirados ?

  3. Próxima cidade a quem Woddy Allen dedica seu amor , será o Rio de Janeiro… e, as filmagens estão prestes à começar. Ele já esteve verificando as locações … E , viva o cinema, desde os irmãos Louis e Joseph Lumière, que erraram ao profetizar “o cinema é uma invenção sem futuro”…com o primeiro documentário, A Chegada de um Trem na Estação… George Mélies, com a ficção, Viagem à Lua… e , paralelamente, Thomaz Alva Edson … Vi todos os grandes clássicos, durante o Curso Superior de Cinema (ano e meio, com aulas diárias, na C.E.G/UFPA , de 1982 à julho de 1983, quando exibimos , durante a SBPC,realizada em Belém, dois documentários conclusivos do Curso: Caiera (sobre carvoarias no Guamá) e A Mala Brasileira (sobre a cerâmica de Icoaraci)… Íamos buscar as fitas, quinzenalmente, rolos pesadões,no Aeroporto, com nosso profesor Peter Yungman, vindos diretamente da Cinemateca de Berlim …
    Hoje em dias carregamos os filmes, no bolso, em disquinhos / dvd …que não existiam , na época… nem cds… fato que a juventude desconhece.
    LUIZ / 04.07.2012

  4. Pretendo ver o filme quando exibido aqui por perto de casa… embora já conheça o Parque Shopping (ainda em obras, onde passei um dia de plantão , no Clean Up Day, com amigos caiaquistas e ecologistas), mas já estou procurando o dvd nas lojas , para comprá-lo … Pois tenho na minha cinemateca, todas as obras do grande Woody Allen.
    Lamento que neste mês , sempre às 18,30 horas, o Cinema Olimpia meio fique vazio, nas semanas de arte… Agora em julho dedicado a exibição de filmes clássicos de terror… Também cumpro minha função de cinéfilo maníaco … Parabéns à Alfredo Garcia, Gleice e família !

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