O DIA EM QUE BEBEL, O BEBÊ, SE TORNOU MENINO JESUS ou O MILAGRE DO MENINO JESUS NUMA QUINTA-FEIRA PAGÃ

Fotos: Gleice Garcia

Devia existir uma lei que proibisse escritores de promoverem lançamentos de livros. Não existe legislação para enquadrar tudo que é comportamento no tal do Código de Controle do Comportamento Politicamente Correto (CCCPolIcor)? Lançamentos de livros deviam entrar neste rol. Pois eu, com mais de vinte e cinco anos de janela, me meti de novo nisso… Aflição pelos livros que não chegam logo da gráfica. Aflição pelos convidados que não chegam. Aflição teu sinônimo é lançamento de livros! No final, a alegria de encontrar alguns amigos e amigas que não convidara; tristeza de não ver ao meu lado alguns que convidara. Paciência.  Nada é perfeito na vida.

Mas, depois da toda azáfama do lançamento, que ocorreu no dia 22 de março, no Centur (Ah! obrigado por você que esteve lá, viu? E também sou grato a quem não foi por razões distintas…), procuro minhas acompanhantes de lançamento: minha mulher Gleice, minha cunhada Roberta e sua filha, Isabel, personagem do livro “Bebel, o bebê”.

Bebel, o bebê, como Menino Jesus no colo de Maria: milagres acontecem!

Vou achar minha mulher, máquina fotográfica em punho, na plateia da Praça da Palavra, em frente ao excelente palco montado pela Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves para as apresentações dos autores, atores e músicos na semana de 19 a 25 de março.

Peraí, pergunto, estás fotografando quem? “A Bebel, a Bebel”, diz ela toda alvoroçada. Por quê? Ela, de novo: “Ela vai ser o Menino Jesus! Ela vai ser o Menino Jesus!”. Para tudo. Para o mundo que eu quero descer. Não quero mais brincar disso, não. Menino Jesus vai ser uma menina? Seria uma nova versão da velha história, agora com uma ênfase feminista? Uma versão em que Jesus seria Jesuína ou Jerusa? Fui checar, veterano homem de imprensa, nos bastidores. Lá estava, no colo de Maria, o Menino Jesus, quer dizer a Bebel-Menino Jesus. Ao lado a mãe dela, Roberta. Bebel comia uma bolacha e parecia à vontade no meio teatral, como se houvesse nascido para ser Menino Jesus!

Mais teatro impossível: Bebel/Menino Jesus se encontra com Jesus adulto.

Antes que me crucifiquem próximo da Semana Santa, logo eu que, pecador entre os mais pecadores, jamais tive a vocação para Cristo, devo esclarecer. Posso esclarecer? Esclarecerei. Ocorre que, claro, havia mesmo um menino que seria o natural intérprete do Menino Jesus na peça a ser encenada, por sinal, com riqueza de vestes e por um grupo teatral da Paróquia da Igreja dos Capuchinhos da melhor estirpe da tradição das pastorinhas. Por algum motivo a mãe do bebê não o trouxe. Imagino a aflição da turma das pastorinhas quando souberam disso. Onde encontrar um bebê que se passasse pelo Menino Jesus, numa quinta-feira, quase oito e meia da noite, em Belém do Pará? Pra vocês verem, ó incréus, que milagres acontecem. Alguém da equipe foi circular pelo Centur e – na praça da alimentação -, avistou minha mulher, Isabel e Roberta. Nunca – eu imagino – um ator agradeceu tanto a Deus por encontrar um bebê num local onde seria improvável encontrar crianças – uma feira de livros. E, assim, Bebel, a bebezinha filha da dona Roberta  e do senhor Anderson, minha sobrinha, a favorita da Tia Gleice, neta dos avós corujas Antônio e Marilene e Carlos e Áurea acabou se tornando Menino Jesus por uma noite!

Isso não foi nada. Bebel tirou de letra o papel imposto. Papel mudo, diga-se. Mas, que artista o mundo viu surgir naquela noite! Interpretava com os olhos, cercada de brilhos por todos os lados. Arriscou umas palmas quando a música assim exigia e foi em frente. Na plateia, fotografando cada detalhe, minha mulher, Gleice. A qual, aliás, assustou, no auge de sua empolgação, um casal que assistia a representação do auto:

– É minha sobrinha! É minha sobrinha! O Menino Jesus é minha sobrinha!

Não tenho quem confirme, mas acho que vi os dois fazerem o sinal da cruz.

 

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