O BARBUDO

 Miquelino sempre foi um americanista, daqueles roxos, desde os tempos áureos dos Kennedy, passando pelo esquecível Gerald Ford, por Nixon (o escutador), George Bush, o velho, Jimmy Carter. Enfim, para o Miquei – era assim que ele gostava de ser chamado, em uma clara alusão ao seu xará criado por Walt Disney – o melhor vinha sempre e estava “forever and ever” nos esteites.

Miquelino se maravilhava com os filmes trash e catástrofe dos americanos. Cinema chinfrim para ele era o nacional, um bando de atores sem pedigree  rosnando falas ininteligíveis. “Não vejo filme dublado” caçoava ele. Se alguém discutia com ele o decantado imperialismo norte-americano, o nosso Miquei rebatia falando das maravilhas que os Estados Unidos já fizeram para outros países desde a inolvidável Aliança Para o Progresso. Chegou até a cogitar o batismo de uma neta com o nome de Madenusa (made in USA), mas os pais, bem a tempo, impediram a obra.

Trecho da crônica incluída no livro O CACHORRO TERRORISTA, a ser lançado em 11/9/2011 no ESTANDE DO ESCRITOR PARAENSE, na XV FEIRA PAN-AMAZÔNICA DO LIVRO.

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