AS LETRAS DE LUTO

A Academia Paraense de Letras (APL) perdeu uma excelente ocasião de voltar a ser das letras, e não de uma elite – que não é intelectual – que aos poucos vem se apossando daquele chamado sodalício. Ao eleger o senhor Ubiratan Aguiar com 22 votos para a vaga do falecido poeta Alonso Rocha, negando a entrada naquela entidade cultural aos poetas e escritores de reconhecidos méritos, quais sejam Antônio Juraci Siqueira e Milton Camargo, na eleição de hoje, a APL virou as costas para os escritores do Estado, que até então viam na instituição um respeitável exemplo de amor à Literatura.

Não cabe nem comparar os currículos dos candidatos item por item, porque seria covardia extrema com o senhor Aguiar. Antônio Juraci Siqueira é um dos mais premiados escritores paraenses de todos os tempos, aclamado pela crítica e pelo gosto popular, não por acaso glorificado por quem convive com ele, como eu, há mais de duas décadas. Milton Camargo, também, além de ser um consagrado autor de livros infanto-juvenis, é poeta premiado pela APL e foi professor da Universidade Federal do Pará. Por que negar o acesso dos dois, então?

A resposta é que, há muito tempo, a APL se tornou uma Assembléia Paraense de Letras, onde ser detentor do título de acadêmico tem pouco a ver com o saber e muito mais com o poder aquisitivo do candidato à pretensa “imortalidade”. Nesse sentido, convenhamos, perdeu muito mais a instituição, empobrecida intelectualmente sem Juraci ou Milton, e ganharam os dois autores que ficam de fora por serem, reconhecidamente, de baixo poder aquisitivo, mas de imenso patrimônio literário e intelectual.

2 Comentários

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2 Respostas para “AS LETRAS DE LUTO

  1. filipe monte verde

    É uma verdadeira vergonha para as a Literatura no Pará mas mais ainda para a própria Academia de Letras.
    O que Ubiratan tem de publicação ao lado dos demais? Mesmo que a questão não fosse publicação e sim avaliação de conhecimento literário e cultural, como ocorreu com o imortalização de João Paulo Mendes, o vencedor ainda perdia para os demais. A Academia colocou mais uma vez o seu rosto a tapa e assinou o seu próprio atestado de óbito, como uma instituição fechada que não possui nenhuma utilidade publica alem de propagar reuniões entre os seus membros em sua sede. Uma Instituição que se perdeu no tempo e que volta a morrer como ocorreu logo depois de sua fundação, esquecida pelos antigos e ignorada pelos jovens.
    Homens como Edson Franco, Dr. Moreira, Zeno Velozo, João Carlos Pereira e Dr. Meira deveriam ter vergonha de fazer parte de tal instituição, que outrora tão seleta, hoje permite que adentrem em suas sagradas tribunas homens que hoje somente tem a acrescentar notas em colunas sociais. A Academia Paraense de Letras não é lembrada pela instituição que é mas pelos homens que a forma, grave erro, pois se estes são imortais no titulo, são mortais na carne e no dia em que Edson, Meira, Hilmo, Bezerra, e outros forrem para chamadas para o lado do criador ou outro canto qualquer nada restará..alem de colunas e notas em jornal!

  2. Tens toda a razão, amigo Alfredo Garcia … a APL tornou-se uma Assembléia Paraense de Letras …
    22.06.2011 / Luiz Lima Barreiros

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