ECCE HOMO!

Uma das minhas memórias do tempo de criança é que, quando assistia ao filme “A Vida de Jesus”, sobre sua paixão, vida e morte, torcia secretamente – acho que como boa parte dos moleques da minha rua – para que reagisse, tomasse a espada e acabasse com aqueles romanos empertigados, aqueles legionários que representavam o poder constituído. Afinal, ele não er ao Rei dos Reis, filho de um ser ultramegapoderoso?

A infância se foi, com ela essa fantasia de ver a reação de Jesus contra seus algozes, assim como de ver os índios vencerem os soldados norte-americanos. Mas, como tudo na vida, deixou uma lição para sempre: Jesus era demasiadamente humano. Como todos nós. Essa é, para mim, a maior lição do nazareno, o homem que ousou enfrentar o poder não com o gume da espada, mas com a força e o corte seco de suas palavras.

Jesus era demasiadamente humano, suas lições são perpassadas de um humanismo que está exemplificado – e talvez sintetizado filosoficamente – em suas palavras: “Amei o próximo como eu vos amei”. Daquele Jesus demasiadamente humano é que devíamos tentar seguir os passos, mimetizar as ações, por na ordem do dia as suas palavras.

Neste século em que afloram cada vez mais Pilatos e Judas, nunca deve ser tarde para que deixemos aflorar o lado demasiadamente humano de Jesus em nós, fazendo da palavra a espada,  da ação humana a reação ao desamor. Afinal, humanos comuns, um dia alguém poderá nos apontar: Ecce Homo!

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