VIVENDO E APRENDENDO A JOGAR

Falei numa crônica passada do filme “Vivendo e Aprendendo” (2008). Hoje vou usar como leitmotiv desta crônica um diálogo deste filme. Quando o professor viúvo Lawrence Wetherhold se dá conta, no filme, de que, mercê de seu afastamento dos filhos (um rapaz e uma moça), acabou criando uma espécie de clones, até na misantropia, no afastamento do contato com outras pessoas (os dois filhos dele são quase gênios; a moça tira nota máxima em tudo na escola, o filho escreve poemas às escondidas, temendo avaliações do pai), ele fala para a filha algo como “você precisa ouvir as outras pessoas, ter tolerância”. Não estou reproduzindo ipsis literis o texto, mas o sentido é esse. Um pouco antes a moça havia comentado, jocosamente, para algumas colegas da sua escola: “Como é ser burra?”.

Tolerância, a mim me parece ser a palavra-chave de qualquer relacionamento. Pessoal, amoroso, em sala de aula, no trabalho. Enfim, ser tolerante é algo difícil. Nascemos e convivemos com milhões de preconceitos. Eu mesmo confesso ser um humano mais que imperfeito. Mas, aprendi e aprendo a conviver com as diferenças. Só que, essa convivência foi um aprendizado de muito tempo, e ainda há muito a aprender. A distância entre dois humanos pode ser minimizada pela palavra. A falada ou a escrita, depende. Hoje, no século da tecnologia e dos múltiplos contatos via redes sociais é estranho que ainda saibamos mais sobre alguém que vive no Afeganistão do que do nosso colega ao lado, do vizinho, do professor.

Viver é aprender a jogar, diz uma canção, “nem sempre ganhando/nem sempre perdendo/mas aprendendo a jogar”. Outro dia, num desses programas de auditório da TV aberta, uma criança respondeu à pergunta sobre determinada palavra mágica das lendas orientais com um simplório “Muito obrigado”. Para ela essa era a palavra mágica. Outra personagem humorística diz sempre, como um jargão: “Obrigada, com licença, por favor!”. Todas as palavras são mágicas, nós é que fazemos uso errado delas.

Aproximarmo-nos dos outros é provar nossa condição de humanos. Sempre lembrando que para isso fomos feitos: para o riso e para o pranto, para o amor e para a solidão, para o silêncio e para o uso da palavra como ponte entre nossas diferenças.

2 Comentários

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2 Respostas para “VIVENDO E APRENDENDO A JOGAR

  1. Imagino que a palavra ‘tolerência’ ou está sumindo dos nossos dicionários ou estão ficando cada vez mais difíceis e interpretar seu significado, pois nossa sociedade realmente tem sido muito intolerante. Claro que não podemos generalizar, mas se de cada dez pessoas uma é intolerante isso já deve ser tratado como um caso preocupante.

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