PROFESSORES ENCANTADORES, ALUNOS IDEM?

Vi outro dia o filme “Vivendo e Aprendendo”, num desses feriados da vida. A história (conforme a sinopse do filme) é esta: Depois da morte de sua esposa, um professor de inglês se torna depressivo e amargo, além de precisar cuidar de seus dois filhos – um menino e uma menina. O relacionamento com os jovens se torna cada vez mais complicado. É quando surge uma nova mulher, que poderá colocar novamente alegria na vida dele. No elenco estão Dennis Quaid, Sarah Jessica Parte e ainda a atriz-revelação de “Juno”, Ellen Page.

O filme é um dos raros da safra recente de Hollywood (é de 2008) que não se apóia no trinômio: atrizes gostosas/atores parrudos/ pancadaria, isso sem falar em efeitos especiais. Só isso já o destacaria dos outros. Mas há o drama humano do professor Lawrence Wetherhold, vivido por Dennis Quaid, que se distancia da convivência com os dois filhos após ficar viúvo e que vê sua carreira na universidade onde leciona a mesma disciplina há tempos, do mesmo modo, todos os semestres, ser questionada na avaliação dos alunos; ao mesmo tempo ele se sente atraído – após ir para num hospital devido a um acidente esdrúxulo – por uma antiga aluna que se tornou médica, a qual acaba cuidando dele.

Não é sobre o drama existencial em si de Wetherhold que pretendo comentar, mas dos seus métodos como professor. Doutor em Inglês ele leciona sobre a época vitoriana, seus autores, sempre em aula expositivas, nas quais ele domina o tempo e doutrina – ou acha que assim faz – seus discípulos. As aulas dele são monologadas, não há diálogo. No dia em que ele muda este viés, se abre um pouco com os alunos, vê a mesma apatia. Um aluno elogia a aula dele, a mudança de tom, que reflete as mudanças pessoais pelas quais o professor está passando – a crise familiar, a descoberta de um novo amor, o medo da parceria recente, as brigas com o irmão adotivo que vem viver com ele. Mas, ele retruca: mudei o tom, mas vi que não adiantou nada.

E aqui que desejo refletir: será que o desejo de mudança, de dar uma aula encantadora deve ser só do professor (alguns vão alegar estupidamente: sim, ele ganha para isso…)? Será que os alunos vão às aulas, seja de ensino fundamental, médio ou superior, somente para ouvir, nunca questionam, nem parecem ter dúvidas? A obrigação de encantar não deve ser recíproca? Afinal, uma aula deve ser um compartilhar de conhecimentos, nunca uma forma de educação bancária, como preconizava criticando o mestre Paulo Freire. Volto ao assunto.

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