PASSAGEM DO POÉTICO PARA OUTRO PLANO

 

Deus deve estar brincando com a gente.

Faz algum tempo subiu com o poeta Max Martins. Esta semana, na quarta-feira, fui me despedir do poeta Alonso Rocha – primo de Max – notável sonetista, amigo de mais de 25 anos. Hoje, neste domingo pré-carnavalesco, a manhã inaugura – sim, por que os domingos só começam a partir das 11 da manhã… – com o desaparecimento do gênio de Benedito Nunes.

Não há muito que dizer quando as pessoas perdem alguém querido, só nos resta soprar as combalidas palavras “meus pêsames” ou “grande perda”. Benedito Nunes merece mais. No começo do ano 2000 fui um dos poucos repórteres – eu, então, trabalhava em A Província do Pará – locais a entrevistá-lo. Na sua Babel de livros, que só ele sabia como funcionava, ouvi as sábias palavras de um homem que unia em uma só pessoa a santa trindade do pensamento: lucidez, sabedoria e humildade.

Olho à minha frente os quatro míseros livros de Benedito Nunes que possuo: O TEMPO NA NARRATIVA (1988), PASSAGEM PARA O POÉTICO (1992), CRIVO DE PAPEL (1998) e HERMENÊUTICA E POESIA (1999). O primeiro e os dois últimos foram suporte nas travessias pelos cursos de especialização e de mestrado na UFPA.

Na entrevista que ele me concedeu, em 2000, ainda está viva a memória das perguntas trôpegas que fiz ao mestre, de suas respostas lúcidas acompanhadas pela benevolência de Maria Sylvia Nunes, sua esposa e companheira de embates intelectuais. Está aqui na folha de rosto a dedicatória a mim endereçada: “Ao Alfredo Garcia, este CRIVO DE PAPEL, com a verdadeira e ainda inédita introdução”. A introdução aludida ao livro é um texto que Benedito Nunes queria, mas por motivos outros, não entrou nesta edição do livro, que foi a segunda feita.

Num outro post reproduzirei este texto de Benedito Nunes.

Se a “indesejada das gentes” têm nos levado tanta gente boa, resta-nos não lamentar, mas perpetuar estas obras de quem, dia após dia, sem temor, viveu sua vida para o desafio de ser intelectual numa terra onde o espaço para a cultura é acre. Sem Benedito Nunes, o Pará fica mais pobre, menos inteligente e culto, mais sem rumo e (espero) crente que deve voltar seus olhos para quem o engrandece sem manchar seu nome, discreta e eficazmente.

Salve Benedito Nunes!

 

Foto: Divulgação.

 

2 Comentários

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2 Respostas para “PASSAGEM DO POÉTICO PARA OUTRO PLANO

  1. Alfredo : não te esquece que somos sobreviventes …

    Curta esta sexta … bons filmes, boas leituras, de preferência com uma parceira nua …

    LUIZ – 18.03.2011

  2. Estive no velório de ambos… antes, passando na APL, comprei livro de poesias do Alonso autografado , e sempre lhe dizia: escreve sobre estes fatos de bastidores da Academia, que bem conheces, pois ninguém mais o fará …
    Ano passado, abracei o Benedito Nunes, parabenizando-o pelo aniversário…no hall de entrada da CEF …
    o velho amigo Nazareno Tourinho, estava na APL, depois de 2 meses em UTI HOSPITALAR …
    C’EST LA VIE !

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