MORRE O PRÍNCIPE DOS POETAS, ALONSO ROCHA

 

Mais que um poeta, um príncipe nos modos; mais que um príncipe, um amigo, sempre a distinguir aqueles que assim considerava em seu vasto círculo de amizades.

Alonso Rocha, sorte minha, sempre me incluiu no seu circuito de amizades. Amizade que começou de uma grande admiração minha diante da grandeza repleta de humildade e engalanada de realeza do Príncipe dos Poetas do Pará.

Lembrar um poeta, em sua viagem encetada rumo ao desconhecido, é rememorar suas palavras gestadas em momentos de sublimação da criatividade:

MENSAGEM

Sou pássaro e sou fonte – ouve o meu canto
tu que abrigas o amor no seio puro.
Vozes da terra a mim próprio misturo
com tanta angústia, porém mais encanto.

Sou árvore a sangrar no lenho duro
a seiva que tu bebes – sangue e pranto –
e no meu poema, para o teu espanto,
eu revelo a palavra do futuro.

Eu sou a dor e a paz, a morte e o eterno;
e nesse mundo, trágico e fraterno,
procura o instante onde talvez tu caibas.

Porque, pássaro e fonte, árvore e guia,
este meu canto – a minha eucaristia –
é o pão que te alimenta sem que saibas.

Sobretudo, além do ímpar poeta que foi – e notem que deixou publicadas somente duas obras ao longo de sua vida -, Alonso Rocha foi um exemplo de caráter, dedicação às causas culturais e um dos poucos acadêmicos a ter um pensamento aberto para as novidades literárias e para os novos talentos.

Foi assim comigo, sempre, desde que nos conhecemos, lá se distanciam no tempo quase trinta anos. Dele sempre ouvi palavras de afeto, brincadeiras em rodas de amigos, e a lição plena de Poesia: a palavra é o que importa; pouco se dá o formato do poema, trova, quadra, soneto, hai-kai. Alonso Rocha fazia poesia como respirava, assim parecia para nós, humildes mortais.

Vai fazer muita falta a diplomacia dele na Academia Paraense de Letras, o trato gentil desde os jovens alunos aos mais destacados intelectuais que recebia; vai fazer muita falta não ouvi-lo declamar um dos seus sonetos; vai fazer muita falta mesmo, a Poesia de Alonso Rocha neste mundo cada vez menos poético.

Ave, Alonso Rocha, Príncipe da Poesia, Majestade dos Amigos e da Vida. Até breve!

 

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s